Quando eu era pequena me disseram que coelhinho da páscoa existia, que por favor era mágico, e obrigada ganhava as pessoas. Me ensinaram que o mundo era justo, que o importante era participar, e que o que você fazia voltava pra você. Ensinaram que Deus perdoava, testava e castigava. Me ensinaram muitas coisas, mas quer saber, a vida não é assim. O mundo não para de girar porque você está tonto, nem a lua para de aparecer porque você tem medo do escuro. Te ensinaram que as pessoas são irmãs umas das outras, e devem ter ensinado isso pra elas também, mas não importa o quanto você siga as regras, elas vão acabar pisando em você, e não há nada que você possa fazer sobre isso. Disseram-lhe que egoísmo é errado, mas experimente compartilhar: você será sugado. Você cresce sendo otimista, mas uma hora percebe que quanto mais acredita, mais tombos leva. E percebe também que quanto menos acredita, maior são as chances de se surpreender. Percebe que não é suficiente ser humilde para ser bondoso, é necessário ser masoquista, e gostar de ser humilhado e usado. Entende que não importa quantas vezes o mundo gire, um novo dia nunca é um novo dia. Você carrega seu passado, e não é a rotação do mundo que vai tirá-lo de você. E por fim entende que o único motivo para lhe ensinarem mentiras é a esperança de você poder repeti-las vezes suficientes para torná-las verdades. Mas daí entende que está sozinho nessa, e ninguém mais vai te entender. A única forma de se ser bom, é ser pior que a humanidade, então decida suas prioridades: doçura ou sucesso. Ninguém pode ter as duas, sem enlouquecer. Certos? Não estamos. Culpados? Não, não somos. E por fim você aprende que o preço da bondade é a vida:
ou se morre como herói, ou vive-se o suficiente para tornar-se o vilão.
Simples e terrível assim.