s.f. Falta de poder, de força.
Empino o nariz para dizer que sou pé-no-chão. Aquele falso orgulho de não ter a cabeça nas nuvens e sonhos no peito. Fingimento empafioso de quem tudo o que mais queria era sentir qualquer coisa. Um “qualquer coisa” que valesse a pena. Um “qualquer coisa” que conhece, mas não mais alcança. Uma luta impotente contra uma força que não existe, mas atinge. E a cabeça canta a estrofe da trilha sonora já decorada: “é só uma fase, vale a pena.” Onde está o valor desse auto-sabotamento, que consome cada pedacinho de razão que ignoro? Busco infindavelmente o resultado dessa traição que eu mesma me proporciono quando faço a cabeça acreditar naquilo que já não mais acredita. E o coração que precisa de graça procura a sorte num beijo teu. Aposta as fichas que é agora: agora vai valer a pena. Que Deus nos ajude. Deveríamos ter buscado a hora, pois quando ela chegar, não vai ter restado mais nada.
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