Que sorte a minha. Nem todos os meus astros e horóscopos me alertaram sobre você. Até hoje não sei o que falei pra ter roubado sua atenção. Se soubesse, repetiria o dia inteiro. Aliás, se eu soubesse... Fui sem querer, olhei sem querer. E assim sem querer, eu quis. Sem saber por anos que me era necessária a voz rouca e o sotaque gostoso no meu ouvido. Sem conhecer o que é sorrir o sorriso de outrem. Sem ter conhecimento que os olhos não falam, mas gritam tudo o que se sente. Ele é perfeito e não sabe. E diante da tua força, me rendi. Rendi-me aos teus cheiros, ao teu gosto. Me entreguei ao teu corpo buscando o meu e ao teu abraço pré-moldado. Vi a mim mesma de joelhos, marcada na carne e no peito, sedada pelos sons dessa parceria. E agora é aquele filme meio-visto, porque eu me perdi de novo em você. É o teu sorriso bobo comendo melão, como criança com brinquedo novo. É você me segurando porque fiz cócegas no seu pé, e eu justificando que isso não aconteceria se não encostassem na minha orelha. Teu corpo sempre quente, mesmo quando é frio. É o jeito que me chama de tola quando bato a cabeça, mas sempre me aninha e me dá um beijo, pra parar de doer. Ou aquela cara quando toma banho, entregando tudo que está pensando. É a inspiração que me trouxe de volta. É você me entregando de graça o meu melhor presente: teu sorriso. E assim recebo a providência de viver um sonho, quando antes só podia sonhar. E eu vou indo assim, pequena, querendo, só tendo certeza que sou muito mais tua do que minha, de corpo e coração.
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